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Comunicação científica:  Porque é que escrever um artigo já não é suficiente

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Science communication: why writing a paper is no longer enough Kristen Schroeder, PhD

Prefácio: Escrever um artigo de investigação já não é suficiente. É cada vez mais importante para os cientistas envolver e desenvolver uma relação de confiança e compreensão com o público, perante as questões urgentes como as alterações climáticas, a resistência aos antibióticos e a desinformação crescente. Instituições como universidades e agências de financiamento tornaram-se mais conscientes da necessidade de uma boa comunicação cientifica, o que significa que é importante estar informado sobre onde e de que forma pode contribuir. A investigação está a avançar em direção a um modelo onde, como cientistas não só temos a responsabilidade de publicar os nossos artigos, como também de divulgar as nossas descobertas e a sua importância para todos os públicos e comunidades.

Porquê divulgar a sua investigação?

À medida que nós realizamos a nossa investigação – as hipóteses que nos antecederam, a razão pela qual as nossas experiências funcionam ou não, as características do nosso sistema modelo- desenvolvemos conhecimentos especializados. Por vezes, depois de vários anos, tornam-nos especialistas ao ponto de sermos uma das poucas pessoas em todo o mundo que conhece profundamente o nosso tema de investigação. Com mais de 7000 artigos de investigação publicados todos os dias, temos de fazer um esforço para trazer o impacto e conectá-lo às pessoas interessadas, caso contrário, é provável que a nossa mensagem se perca. Quer o financiamento da investigação provenha do governo, da indústria ou de qualquer outro lugar, existem comunidades de pessoas que apoiam o seu trabalho – grupos de doentes, partes interessadas da indústria ou o público em geral. É importante que alguém seja capaz de lhes dizer o que aprendeu.

Numa escala mais ampla, fazer o esforço para divulgar a sua investigação também pode contribuir para construir a confiança do público e combater estereótipos. Os cientistas são um grupo incrivelmente diversificado. Quantos mais cientistas partilharem o seu trabalho, mais precisa será a imagem de quem pode ser um cientista e o que acontece dentro de um laboratório.   Num estudo feito em 2019 sobre a forma como o Instagram afeta a perceção dos cientistas, os autores descobriram que as pessoas responderam de forma positiva ao verem imagens reais dos investigadores. Considerando-os competentes mas também algo com o qual se relacionavam- o que é uma receita perfeita para criar confiança. Como qualquer audiência, o público responde à humanidade dos investigadores, por isso fazer um reel a mostrar as descobertas mais importantes talvez seja vantajoso para estabelecer contacto entre as pessoas dentro e fora da comunidade científica.

Existem muitas vias e públicos para a comunicação científica  

Não precisa de necessariamente fazer a sua pesquisa no Instagram; existem várias plataformas para construir e atrair o seu público, desde escrever um comunicado de imprensa sobre o seu jornal para o gabinete de comunicação social da sua instituição até fazer TikToks sobre colunas Winogradsky para três seguidores. Há valor em diversos tipos de comunicação científica, e audiências para a variedade de formatos. Desde os tweets do Lego graduate student sobre os altos e baixos da vida de investigação, a podcasts de conversas com cientistas, a vídeos animados no YouTube criados com um público amplo em mente. Existe uma plataforma para você conectar a sua investigação de forma a que se sinta confortável e goste, e para partilhar a sua emoção não precisa de ter belos vídeos de microscopia.  Onde é que o seu conhecimento se pode enquadrar? E quem pode beneficiar por ouvir o que você descobriu?

Pode procurar por oportunidades locais – por exemplo, em Estocolmo, Pint of Science tem um capítulo sobre a organização de apresentações de investigações em espaços públicos, e Forskarfredag organiza um dia de comunicação da investigação com o público. Organizações como Skype a Scientist conectam investigadores com o público académico em todos os lugares.

Apoio ao desenvolvimento das suas competências de comunicação científica

Se você ainda não segue os comunicadores de ciência nas redes sociais, siga-os e veja como eles interagem com os seus seguidores. Dois expecialistas em comunicação incríveis são o Ed Yong e a Dr. Samantha Yammine, que dedicaram as suas carreiras a escrever e falar sobre ciência. Fazer divulgações sobre a ciência é uma habilidade, e é muito importante ser-se preciso e honesto para lidar com a relação com o público de forma íntegra. Isto não é algo que precises de fazer sozinho. Muitas universidades oferecem aulas ou seminários sobre comunicação científica que pode ajudar a começar – algumas instituições até oferecem a oportunidade de formalmente se especializar em comunicação sobre investigação. Há organizações que oferecem estágios, cursos autónomos, ou outras oportunidades para ajudar a formar e apoiar cientistas a desenvolver boas práticas de comunicação. Na scientifyRESEARCH, nós temos uma lista de bolsas disponíveis para ajudar investigadores a financiar a sua divulgação científica, e sociedades como a American Academy of Environmental Engineers and Scientists (AAEES) e a European Geosciences Union (EGU) oferecem prémios que reconhecem a excelência na divulgação e comunicação. Veja à sua volta que tipo de ajuda está disponível para o ajudar a fazer passar a sua mensagem.

Divulgar a ciência com integridade

Por último, é também importante reconhecer e reforçar as vozes de outros especialistas de forma a ajudá-los a transmitir as suas mensagens científicas. Tal como numa investigação, quando partilhamos informação temos a responsabilidade de citar e dar crédito às fontes primárias, e de ter em atenção o preconceito e a exclusão. Promova na sua comunidade as descobertas feitas no seu departamento ou pelos seus colegas. Utilize a sua formação de investigação em análise crítica e avaliação quando decidir o que partilhar. E compreenda os limites do seu conhecimento – à medida que desempenhamos a tarefa de divulgar a nossa investigação e nos estabelecemos como especialistas perante uma audiência, conferimos esse peso ao que estamos a dizer. A interação com o nosso público pode ser uma ferramenta poderosa para promover a sensibilização e o entendimento em ralação a desafios como as alterações climáticas, AMR, e a desinformação. Com boas práticas, os cientistas podem ajudar a liderar a mudança de políticas e a literacia científica que beneficia todos!

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