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Semana do Acesso Aberto 2022: Financiadores de Investigação para a Justiça Climática

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Open Access week blog post on climate research funding.

O que é a Semana do Acesso Aberto (Open Access Week) ?

A Semana Internacional do Acesso Aberto é um evento global que promove o beneficio e necessidade de abertura nas investigações e publicações escolares. Os eventos dedicados a esta semana destacam oportunidades que promovem o acesso aberto e defendem ações que asseguram a acessibilidade de materiais escolares e informação de investigações a todos. Todos os anos há um tema diferente e todos os eventos são organizados com foco nesse tema, de forma a despertar uma maior consciencialização sobre a forma como o acesso aberto faz progredir esse tema. Este ano, devido à nossa experiência com os efeitos sem precedentes das alterações climáticas por todo o mundo, o tema é “Justiça Climática”.

História da Semana do Acesso Aberto 

A Semana de Acesso Aberto começou em 2007 nos EUA como Dia do Acesso Aberto. SPARC, uma organização sem fins lucrativos que apoia o acesso na investigação e na educação, juntamente com os alunos, organizaram eventos locais em alguns campus pelos EUA. Com o tempo, ganhou popularidade e agora é celebrada como Semana do Acesso Aberto. Este ano, é o décimo quinto ano deste evento [1]

Existe alguma diferença entre o Acesso Aberto e a Ciência Aberta? 

O termo “Acesso Aberto” refere-se à disponibilidade grátis da revisão de artigos de investigação escolares por pares, capítulos de livros, monografias, etc. em repositórios online. Desta forma, garante-se acessibilidade justa e uma distribuição equitativa de conhecimento.

Por outro lado, “Ciência Aberta” é um termo mais abrangente que permite práticas em investigação científica para tornar os dados e o conhecimento acessíveis e utilizáveis por todos, e defende a colaboração e partilha de conhecimento. De acordo com a Recomendação da UNESCO, “ciência aberta é definida como uma construção inclusiva que combina vários mecanismos e práticas que visam tornar o conhecimento científico multilingue disponível, acessível e reutilizável para todos. Visa também aumentar as colaborações científicas e a partilha de informação para beneficio da ciência e da sociedade, e abrir os processos de criação, avaliação e comunicação do conhecimento científico a atores sociais para além da comunidade científica tradicional” [2].  Assim, pode dizer-se que o acesso aberto é uma ferramenta para a ciência aberta, enquanto que a própria ciência aberta é uma perspetiva mais ampla para investigação e colaboração transparente científica.

Benefícios do acesso aberto para comunicações académicas e colaborações de investigação

1. Acessibilidade a artigos académicos

O acesso aberto garante acessibilidade a artigos académicos. A falta de subscrições de acesso pago para artigos de investigação significa que o público no geral e investigadores de uma instituição com menos financiamento podem aceder à informação. Ter igualdade de acesso à informação significa que não damos continuidade à perpetuação do desequilíbrio do conhecimento a nível mundial.

2. Garantia de qualidade

Embora existam estudos que tentam encontrar uma correlação entre qualidade e artigos de investigação “abertos” ou “fechados”, o acesso aberto não garante a qualidade nem exclui publicações de qualidade. No entanto, pode-se argumentar que numa perspetiva a longo prazo, a publicação em acesso aberto incentiva autores a exercerem um controle de qualidade mais rigoroso. Os autores precisam de exercer medidas de controle de qualidade mais rigorosas porque os seus artigos serão lidos por mais pessoas e os dados estão abertos à reutilização, o que significa que há mais escrutínio para o artigo e os dados.

Por outro lado, também se debate o facto de que, se as revistas científicas tiverem de depender das taxas de publicação para cobrir os seus custos, poderão começar a publicar mais artigos para aumentar as receitas, possivelmente reduzindo o nível de qualidade das publicações. É possível que se trate de uma visão de curto prazo, uma vez que as revistas e as editoras que prejudicam os seus próprios processos de controlo de qualidade acabam por desenvolver uma reputação que levará os investigadores a abandoná-las.

O que é importante salientar são as consequências indesejadas da avaliação da investigação – por exemplo, a utilização do fator de impacto da revista como substituto da qualidade da investigação pode levar os investigadores a comportamentos indesejados, como publicar em revistas que atualmente têm um fator de impacto elevado, independentemente dos seus processos de revisão por pares e de outras medidas de controlo de qualidade, ou ignorar o principal público-alvo da revista.

3. Menor probabilidade de plágio

Como o acesso aberto torna os artigos visíveis para todos, incluindo as ferramentas de deteção de plágio, a probabilidade de plágio diminui, pois qualquer tipo de duplicidade pode ser facilmente detetada. Assim, pode dizer-se que o acesso aberto facilita a deteção do plágio e desencoraja-o fortemente.

4. Aumento do número de leitores e de citações

O acesso aberto de artigos de investigação garante um maior número de leitores, pois são visíveis para todo o mundo. Isto aumenta as possibilidades de citação e de utilização da informação publicada, não só pelos investigadores académicos, mas também pelo público em geral.

5. Aumento das oportunidades de colaboração 

A disponibilidade dos artigos pode trazer novos contactos para o autor e pode levar a potenciais colaborações. Pode abrir janelas para novas oportunidades de investigação, bem como oportunidades de investigação multidisciplinar.

Qual é o significado da Justiça Climática como tema deste ano?

As pessoas em todo o mundo estão a aperceber-se da realidade das alterações climáticas. Entre 2000 e 2019, mais de 475 000 pessoas perderam a vida devido a fenómenos meteorológicos adversos[3]. Estes fenómenos climáticos têm efeitos desproporcionais em países ou comunidades desfavorecidas. Por exemplo, de acordo com a NAACP, as comunidades de cor são as mais propensas aos efeitos da poluição atmosférica [4]. A fim de identificar os principais grupos mais afetados pelas alterações climáticas e encontrar estratégias de atenuação e adaptação a longo prazo, foi criado o movimento “Justiça Climática”. Para descobrir com êxito as razões destas catástrofes climáticas e estabelecer uma correlação entre o impacto humano, as alterações climáticas e as catástrofes, é necessária e deve ser promovida uma investigação científica rigorosa.

Por isso, este ano, a Semana do Acesso Aberto está a focar-se na “Justiça Climática” para promover a disponibilidade da investigação sobre o clima. O acesso aberto a artigos de investigação sobre o clima permitirá uma partilha equitativa de conhecimentos a nível mundial, incluindo nos países em desenvolvimento.

De forma a celebrar a Semana do Acesso Aberto e honrar o tema deste ano “Justiça Climática”, gostaríamos de reconhecer que a informação de que dispomos hoje é resultado do trabalho árduo dos investigadores e não é gratuita. Os financiadores da investigação sobre o clima a nível mundial desempenham um papel crucial na ajuda aos investigadores. Ao longo desta semana de acesso aberto, vamos analisar alguns desses financiadores.

Financiadores nacionais que contribuem para o financiamento mundial da investigação climática

A maioria dos financiadores nacionais de investigação tem o dever de financiar investigações efetuadas nos seus países. Os mesmos princípios aplicam-se à investigação sobre o clima. O que não é tão conhecido é o facto de vários financiadores nacionais de investigação também financiarem investigadores a nível mundial. Se considerarmos que o mundo está interligado e que as alterações climáticas são um fenómeno global, faz sentido abordar as alterações numa perspetiva global.

Entre os financiadores nacionais que apoiam investigadores internacionais contam-se a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), uma agência governamental dos EUA que apoia a investigação oceânica e atmosférica, que inclui bolsas dedicadas à investigação climática. Entre as bolsas da NOAA encontra-se a bolsa para a resiliência das ilhas, destinada a apoiar a adaptação climática das ilhas das Caraíbas e do Pacífico.

Uma prática comum entre os financiadores de investigação para promover a colaboração da mesma é o “cofinanciamento” de equipas de investigação de diferentes países. Na prática, isto significa que cada financiador financia investigadores dos seus países, mas para ser admissível para financiamento, o projeto proposto deve incluir parceiros de projeto que também sejam elegíveis para financiamento pelos financiadores do seu próprio país.

Através do programa de financiamento  Horizon Europe  a Comissão Europeia apoia vários programas de investigação sobre desenvolvimento sustentável através de cofinanciamento com financiadores de investigação nacionais. Estes programas incluem, por exemplo, o Driving Urban Transitions (DUT) para cidades sustentáveis, o Biodiversa+  para a biodiversidade e o Water4All para a gestão e segurança da água. É importante salientar que muitos dos programas de financiamento do Horizonte Europa também estão abertos a investigadores de países em desenvolvimento.

A Japan Science and Technology Agency (JST) cofinancia projetos de investigação sobre sustentabilidade juntamente com financiadores de investigação do Canadá, França, Alemanha, Reino Unido e EUA.

International Development Research Centre (IDRC) do Canadá apoia a investigação no geral e nos países em desenvolvimento. Este financia projetos que promovem o desenvolvimento sustentável dos países em desenvolvimento, incluindo o financiamento da investigação sobre o clima. 

Fundações que apoiam investigadores da área do clima e da sustentabilidade

À medida que as alterações climáticas e a sustentabilidade se tornam cada vez mais comuns no vocabulário quotidiano, cada vez mais as fundações de financiamento apoiam a investigação sobre o clima e a sustentabilidade.

O AXA Research Fund  apoia os investigadores da área do clima em todo o mundo através de dois programas de desenvolvimento de carreira, um a nível de pós-doutoramento  e outro para senior academics (AXA Chair), ambos com um financiamento generoso para os beneficiários.

A Merck, uma empresa farmacêutica sedeada na Alemanha, financia uma bolsa de investigação anual que promove a investigação da sustentabilidade. A competição está aberta a investigadores de todo o mundo, com o financiamento de 1.5 milhões de euros ao longo de 3 anos.

Os corais de recife têm sido dramaticamente afetados pelas alterações climáticas, a Coral Research & Development Accelerator Platform (CORDAP) é um programa de financiamento criado por 17 países do G20. CORDAP’s Coral Accelerator program financia (1.5 milhões de dólares americanos ao longo de 3 anos) equipas de investigação internacionais com ideias inovadoras e impactantes para a restauração de corais.

A The Schmidt Family Foundation também financia a investigação sobre os oceanos, providenciando financiamento para a inovação da tecnologia do oceano.

Wellcome Trust é o maior financiador de investigação no campo da saúde do Reino Unido. O Wellcome Trust recentemente alterou o seu foco do programa de financiamento, e atualmente o tema “clima e saúde” é uma parte importante do mandato de financiamento. O grupo-alvo do financiamento varia; alguns  programas estão abertos a investigadores de todo o mundo, enquanto que outros se limitam ao Reino Unido/Irlanda e aos países em desenvolvimento.

O Burroughs Wellcome Fund também apoia o clima e a saúde, apoiando investigadores nos EUA e no Canadá que trabalham em equipas interdisciplinares para estudar o impacto das alterações climáticas na saúde.

Enquanto base de dados de financiamento da investigação, nós, na scientifyRESEARCH, pretendemos tornar a informação sobre financiamento facilmente acessível a si, investigadores de todo o mundo. A nossa lista de oportunidades de financiamento dos ODS da ONU  é continuamente atualizada com as últimas informações de financiamento de investigação que promovem os ODS da ONU. Também fornecemos filtros de elegibilidade que o ajudam a encontrar o financiamento certo para si. Marque esta página e inscreva-se nos nossos alertas de bolsas   ou na circular mensal, para obter as informações mais recentes sobre financiamento de investigação de financiadores de todo o mundo.

Referências 

[1] History of Open Access Week, SPARC Official Website, accessed October 24, 2022.

[2] UNESCO Recommendation on Open Science, UNESCO official website, accessed October 25, 2022. 

[3] David Eckstein, Vera Kunzel, Laura Schäfer, Global Climate Risk Index 2021 Germanwatch 2021. 

[4] Climate Justice, Yale Climate Connections Official Website, accessed October 25, 2022. 

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